PARTE 4
O tempo passa rápido quando a gente não quer que ele passe. Outras vezes ele parece que para e nada acontece. A voz de um homem falando em um megafone solicitava que eu permitisse a presença de um representante dos direitos poéticos dentro da casa para que pudesse avaliar a saúde deles. Não concordei na hora , mas insistiram tanto que acabei permitindo a entrada do representante com uma condição. Queria uma equipe de televisão para me entregar. Era isto ou nada. Duvido que alguem da imprensa vai querer se interessar por uma poeta que guarda poemas em gavetas, todo mundo faz isto, não sei por que toda esta confusão. Não demorou muito para o pessoal da imprensa chegar. Chegatam e ja foram apontando as cameras para dentro de casa. Eu achei aquilo tudo muito engraçado e para complicar mais a situação escolhi a equipe de uma emissora conhecida para dar entrevista. A policia concordou que entrasse o representante dos direito dos poemas junto com a imprensa. Eu que ja tava ralado mesmo e não tinha nada a perder, concordei. Para meu espanto o representante dos poemas era uma mulher. E que mulher. Mas por que uma mulher? Poderia ser um homem, não faria diferença alguma. Homens vão direto ao que interessa, não ficam enrolando e nem tentando seduzir a gente com caras bocas e corpo. É que era estranho, incomum é a palavra certa. Será que eles acham que vou me derreter todo ante a presença de uma mulher? Mas que idiotas. O primeiro a entrar foi o homem com a camera, depois entrou a reporter e por fim a representante dos poemas. Ela parou na porta e ficou analisando a situação. Eu para mostrar que dominava a situação, mantinha alguns poemas perto da chama acesa do fogão, era só abrir a mão e eles logo virariam cinzas. É claro que não tinha intenção nenhuma de acabar com os poemas, era só um blefe para assustá-los. Ela deus dois passos na minha direção, parou e soltou os cabelos, meneou a cabeça de um lado a outro provocantemente. Achei aquilo engraçado, só faltava ela ficar nua e dizer que estava pronta para o uso. Depois que ela soltou os cabelos, tirou os óculos escuros e simplesmente sorriu para mim. Isto mesmo. Ela estava sorrindo para mim maliciosamente. Se a intenção era me desconcentrar, ela estava conseguindo, tanto que quase deixei cair os poemas nas chamas azuis do fogão. Ela gritou assustada;_ Não! Os meus poemas não! Imediatamente o cinegrafista apontou a camera para a representante que havia gritado. Como assim, meus poemas, perguntei. A pergunta morreu antes de completar a rima rica. A resposta era tão óbvia que quase não acreditei na obviedade da verdade escancarada na minha frente. Ela era a mulher dos meus sonhos. A minha musa inspiradora.
Ta gostando, então manda um comentário picante.
terça-feira, 24 de março de 2009
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